(Post reeditada da plataforma anterior. Publicado originalmente em dezembro de 2007).
É impossível ler Germinal, de Emile Zola, sem sair tocado de alguma forma com as míseras condições em que vive parte da humanidade.
Zola escreveu Germinal no século 19, e hoje, quase um século e meio depois, ainda temos seres humanos vivendo e trabalhando em condições tão degradantes como as descritas pelo autor no tocante livro.
A imagem acima é de um trabalhador de uma mina de carvão na China. Os dados não são oficiais, embora isso seja o que menos importa, mas segundo o blog português Janela para o Rio, um minerador chinês ganha 3,76 Euros por cada 100 quilos do minério extraído. E o que dizer, então, de um cortador de cana aqui no Brasil, que ganha R$0,14 por metro cortado?
Ler Germinal é bom, fazer um paralelo com os tempos atuais, melhor ainda. Hoje vivemos a sociedade da informação, a revolução tecnológica suplantou a Revolução Industrial, a massa operária já não constitui exatamente uma classe como antes, mas condições sub-humanas de vida continuam a exisitir, e é um erro crer que, mesmo com todas as transformações sociais do último século até os dias de hoje, a brutalização do homem não se dê mais pelo trabalho alienante.
Se você não leu o livro de Zola, é tempo. Não deixe de fazer.
Para escrever Germinal, Zola trabalhou durante dois meses em uma mina francesa daquele século. Vivenciou o dia-a-dia do minerador, suas misérias, dores e angústias. É um livro perturbador!