(Post reeditado da plataforma antiga. Publicado originalmente em fevereiro/2008)
Este post era pra ter vindo em janeiro passado. Não foi possível. O mês passou voando e eu com tantas outras atribuições, não pude mandar daqui minhas saudações pelo 81º ano de vida de um dos mais belos e revolucionários anarquistas brasileiros.
Roberto Freire, contudo, não depende de ocasições especiais para ser lembrado neste blog. Roberto é na verdade parte dele, ainda que inconscientemente. É como ele diz com sua autobiografia, Eu é um outro. Todos somos um pouco do outro, de forma que eu um pouco dele e sendo assim, ele um pouco do que faço.
Roberto foi a pessoa que tocou de mais completa minha alma, corpo e coração com o pensamento libertário. Seja por meio da soma ou de seus livros, Roberto Freire ficou um pouco em mim e é tão saudável sentir o tesão de viver que emana dele. #/#
Eu tive a felicidade de conhecê-lo pessoalmente quando participei de um grupo de Soma (na época em transição para Somaiê), com Rui Takeguma em 2003. Foi um momento mágico todo esse período. Eu fazia a terapia coletiva com o grupo e vivenciava algumas seções individuais com Freire, no apartamento dele na rua Aimberé, em Perdizes. Era de fato muito prazeroso e enriquecedor vivenciar aquelas horas a sós com ele.
Freire era muito amável. Nossas seções eram realizadas alí mesmo no quarto dele, o que me permitia desfrutar um tantinho de sua intimidade. Era um espaço bem modesto, mas um tanto aconchegante. Tinha uma cama de solteiro, uma escrivania que era sua mesa de trabalho, duas poltronas, uma que ele ocupava e outra, eu... uma televisão, alguns livros, papéis com seus manuscritos e uma rede, onde ele curtia suas horas de preguiça. Jamais vou esquecer aqueles momentos e lembro que num desses encontros o presenteiei com dois adesivos que eu mesmo confeccionei com temática libertária, e um poema que escreví inspirado em nossos encontros...
A história de Freire é a história de um militante incansável na luta contra o Monstro Sist. Combateu duas ditaduras, a de Vargas e a dos militares de 64, escreveu duas dezenas de livros, trouxe Reich para o meio popular no Brasil, e disseminou tesão nos jovens coiotes por meio de sua literatura e grupos somaterapia... A receita, apesar de tão diversificada em suas ações, pode resumir em uma nota só: é tesão pela vida, é prazer sobre a dor!
Depois de nossa última seção em 2003, eu só voltei a vê-lo pessoalmente em 2005, num evento em sua homenagem organizando pelo Núcleo de Sociabilidade Libertária, na PUC, onde lhe dei um forte e carinhoso abraço. Para minha surpresa e alegria, ele disse ainda lembrar de mim.
Hoje, segundo informações no Orkut da pessoas ligadas Freire, ele está com a saúde mais fragilizada, embora continue na ativa escrevendo seus livros. Recentemente publicou, em companhia dos terapeutas do Brancaleone, O Tesão Pela Vida, onde revisa e reafirma a Soma como arma de combate ao autoritarismo.
Já se vão quase 3 anos desde a última vez que ví e cumprimeite Roberto Freire e espero, verdadeiramente, poder ter a oportunidade fazê-lo novamente. Enquanto, não acontece, digo por aqui mesmo: Roberto, te amo!
o Tesão é pela vida... e é nosso! Saúde Anarquia!!!